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Novos créditos habitação têm queda acentuada no início de 2026

06 Mar 26

S- Prestige

Dados históricos do BdP mostram que o valor dos novos contratos bancários na habitação costuma cair na transição de cada ano.

 

Crédito habitação em Portugal
Foto de olia danilevich no Pexels
 

 

O início de 2026 foi marcado por uma queda acentuada no montante de novos créditos habitação. O Banco de Portugal (BdP) revelou que, em janeiro de 2026, foram concedidos 1.783 milhões de euros em novos empréstimos habitação, menos 18,6% face ao mês anterior. Isto numa altura em que os juros voltaram a recuar e os jovens continuam a beneficiar da garantia pública e da isenção de IMT na compra da sua primeira casa. Explicamos.

Em janeiro de 2026, “os novos contratos de empréstimos a particulares atingiram 2.588 milhões de euros, menos 499 milhões de euros do que em dezembro. Para esta redução, contribuíram principalmente os empréstimos para habitação que diminuíram 408 milhões de euros, para 1.783 milhões de euros”, lê-se no boletim estatístico do regulador português.

Portanto, os dados indicam que o montante de novos créditos habitação concedidos no primeiro mês de 2026 recuou 18,6% face a dezembro de 2025. Trata-se de uma queda bem acentuada, que pode ser explicada não por alterações significativas à conjuntura económica e financeira - o novo conflito no Médio Oriente só eclodiu a 28 de fevereiro de 2026 -, mas sim por uma tendência histórica, já que se tem verificado uma redução deste montante entre dezembro e janeiro de cada ano. Por exemplo, na transição de 2024 para 2025 o valor emprestado em novos créditos habitação desceu quase 26%.

Apesar desta queda mensal, os novos contratos de empréstimos habitação de janeiro continuam a agregar um valor superior face há um ano (mais 250 milhões de euros), mostram ainda os dados do BdP. E a taxa mista continuam a representar a grande maioria dos novos créditos para compra de habitação própria e permanente (77%), seguida da taxa variável (20%) e da taxa fixa (3%).

 

Novos contratos de crédito habitação em Portugal

Montante total concedido em cada mês em milhões de euros

 

Já nas renegociações de crédito habitação realizadas em janeiro aconteceu o inverso: houve um aumento mensal de 45 milhões de euros, mas um recuo em termos homólogos de 6% (menos 30 milhões), passando a totalizar 466 milhões de euros. Note-se ainda que as renegociações dos empréstimos habitação representaram a maioria das renegociações de empréstimos, que no primeiro mês do ano totalizaram 493 milhões de euros.

Juros nos créditos habitação voltam a descer em janeiro 

A taxa de juro média das novas operações de crédito habitação, que inclui novos contratos e renegociados, voltou a recuar em janeiro para 2,83%, após ter subido em dezembro pela primeira vez num ano (para 2,85%).

Por segmento, a taxa de juro média dos novos contratos de empréstimo da casa manteve-se em cadeia, em 2,84%, enquanto nos contratos renegociados recuou 0,04 pontos percentuais num mês, para 2,81%, revela o boletim do BdP divulgado esta quarta-feira, dia 4 de março.

Na área do euro, a taxa de juro média das novas operações de empréstimos habitação aumentou 0,06 pontos percentuais em cadeia, para 3,36%, tendo Portugal apresentado a quarta taxa de juro média mais baixa, estando 0,53 pontos percentuais abaixo da média da zona euro, atrás de Malta, Espanha e Finlândia.

Taxas de juro médias de novos empréstimos para habitação própria permanente

 

 

Todos os tipos de taxas de juro nos novos empréstimos destinados à compra de habitação própria desceram entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. A taxa fixa apresentou o maior valor (3,55%, -0,05 p.p. em cadeia), seguindo-se a taxa variável (2,79%, -0,07 p.p.) e a taxa mista (2,72%, -0,03 p.p.). Estas duas últimas continuam a aproximar-se, estando praticamente no mesmo nível.

A Euribor a 12 meses - que foi a mais utilizada durante quase dois anos, até abril - representou, em novembro, 36,7% do montante das novas operações com taxa variável, enquanto a Euribor a 3 meses subiu para 7,11%. E as operações com Euribor a 6 meses representaram mais de metade (52,4%).

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