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Euribor acelera e eleva prestação da casa em outubro em dezenas de euros

02 Out 26

S- Prestige

Desde o início da guerra no Irão, a prestação da casa já subiu mais de 50 euros, mostram simulações.

 

Crédito habitação em Portugal
Magnific
 

 

Os orçamentos familiares estão cada vez mais pressionados, não só devido ao aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos, mas também por via do crédito habitação. As taxas Euribor voltaram a subir muito em setembro, elevando as prestações da casa nos novos empréstimos a taxa variável para máximos de dois anos. 

Desde o início da guerra no Irão, as prestações já cresceram mais de 50 euros, mostram as simulações do idealista. O impacto é ainda maior para quem tem créditos habitação mais recentes e de valores mais elevados.

 

Subida da Euribor acelera em setembro: porquê?

Em setembro, as taxas médias mensais da Euribor voltaram a crescer de forma acelerada, tendo os prazos mais longos refletido os aumentos mais expressivos:

  • Euribor a 12 meses: fixou-se em 3,247% em setembro de 2026, mais 0,293 pontos percentuais (p.p.) em comparação com agosto. Esta é a primeira vez em dois anos que este indexante passa a barreira dos 3%;
  • Euribor a 6 meses: média mensal subiu para 2,922%, mais 0,209 p.p. do que no mês anterior. Esta é a taxa mais alta desde o final de 2024;
  • Euribor a 3 meses: cresceu para 2,635% em setembro, uma subida mensal de 0,122 pontos. É preciso recuar ao início de 2025 para encontrar uma taxa tão elevada.
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Euribor a 3, 6 e 12 meses: como evoluiu nos últimos anos?

Taxa média mensal desde maio de 2007 até setembro de 2026

 

O trajeto da Euribor em setembro já era de adivinhar, uma vez que acaba por refletir o novo aumento de 25 pontos base das taxas de juro diretoras decidido pelo Banco Central Europeu (BCE) na reunião de política monetária realizada a 10 de setembro. Desde o início da guerra no Irão – a 28 de fevereiro -, o regulador europeu subiu os juros duas vezes, elevando a principal taxa de referência para 2,5%. O seu objetivo passa por trazer a inflação na zona euro de volta ao patamar dos 2% (agora está acima de 3%, sobretudo, devido aos preços da energia).

Daqui para a frente, a evolução da Euribor vai depender do desenrolar da guerra no Irão. Esta quarta-feira (dia 30 de setembro), o Governo iraniano recebeu uma resposta formal dos EUA à sua última proposta para pôr fim ao conflito, embora não tenha especificado o conteúdo. O desfecho mantém-se, para já, incerto. Mas já se está a refletir nos mercados financeiros, com as taxas diárias da Euribor a descer para todos os prazos esta quinta-feira, dia 1 de outubro. Se o conflito continuar, prevê-se que haja mais uma subida dos juros do BCE em dezembro, pressionando o indexante.

Como sobem as prestações da casa no último mês? E desde o início da guerra?

As famílias que estão a comprar casa com financiamento bancário vão deparar-se com juros cada vez mais elevados mês após mês, pelo que agilizar o processo pode fazer a diferença. Isto porque contratar um empréstimo em setembro ou em outubro traduz-se num aumento da despesa com a casa em dezenas de euros ao longo dos meses seguintes.

É isso que mostram as simulações do idealista/créditohabitação, que têm em conta um empréstimo da casa a taxa variável contratado em outubro de 2026 (que usa a média mensal da Euribor de setembro) no valor de 150.000 euros, com spread 1% e prazo de 30 anos:

  • Euribor a 12 meses: a prestação da casa será de 737 euros nos doze meses começados em outubro de 2026, mais 26 euros face a um crédito contratado no mês anterior. Esta é a prestação mais elevada desde o verão de 2024;
  • Euribor a 6 meses: a prestação da casa a pagar em outubro e nos cinco meses seguintes será de 709 euros, mais 18 euros do que quem contratou o crédito em setembro. Também se trata da maior prestação desde novembro de 2024;
  • Euribor a 3 meses: a prestação da casa será de 685 euros nos primeiros três meses do contrato, mais 11 euros face ao mês anterior. Este é o maior valor desde o arranque de 2025.

As prestações da casa deram um dos maiores saltos este último mês desde o início do conflito no Médio Oriente. E os aumentos acumulados desde fevereiro são bem significativos. As prestações da casa nos novos créditos a taxa variável indexados à Euribor a 12 meses subiram 87 euros desde o início da guerra. No caso da Euribor a 6 meses, a prestação subiu 66 euros. E, no prazo mais curto, a prestação da casa cresceu 52 euros em mais de sete meses de conflito.

Esta subida das prestações da casa tem outro senão: ao pesar mais nos orçamentos familiares, acaba por elevar a taxa de esforço, a qual passou a ter o limite máximo de 45% desde agosto por recomendação do Banco de Portugal (BdP). Ou seja, todo este cenário poderá tornar mais difícil a concessão de crédito habitação no país. É por isso que a maioria das famílias que está a contratar novos empréstimos escolhe a taxa mista, que está mais acessível e permite fixar as prestações nos primeiros anos do contrato, dando tranquilidade financeira.

 

Novos créditos habitação: impacto da Euribor nas prestações da casa

Prestações da casa (euros/mês)
Novo crédito habitação de 150.000 euros, com spread de 1% e prazo de 30 anos

 

 

Prestações da casa revistas em outubro bem mais elevadas

Seguir o rumo das taxas Euribor é relevante para a maioria das famílias com crédito habitação em Portugal. Isto porque cerca de 46% dos empréstimos para habitação própria e permanente existentes no país são a taxa variável, segundo os dados do BdP relativos a agosto. E, apesar de a taxa mista já representar 49% deste stock, a fixação dos juros é geralmente a prazos muito curtos (2,3 ou 5 anos), pelo que depois a prestação da casa passa a variar conforme a Euribor.

Portanto, quem já está a pagar um empréstimo habitação a taxa variável e tem revisão da prestação da casa agendada para outubro, pode preparar-se para pagar mais. A Euribor a 12 meses fixou-se em setembro num valor bem mais elevado (3,247%) do que há um ano (2,172%). E também a Euribor a 6 meses – a mais utilizada no país – está mais alta (2,922%) face há um semestre (2,322%). 

A dimensão do agravamento das prestações da casa revistas em outubro dependerá também de outros fatores, como do montante em dívida e do prazo do contrato. O impacto da subida dos juros será maior para quem tiver créditos habitação recentes (pois a parcela dos juros é maior) e para quem tiver pedido ao banco montantes mais elevados.

Neste contexto de agravamento das prestações da casa, importa lembrar que há formas de tentar aliviar esta pressão adicional sobre o orçamento familiar: renegociando o crédito, pedindo uma revisão do spread, renovar o prazo fixo na taxa mista ou até transferir o crédito habitação para outro banco. Amortizar o crédito habitação também é uma opção e poderá ficar mais barato em breve, uma vez que foi aprovado um projeto de lei do Chega que vem eliminar a comissão de reembolso antecipado nos contratos de crédito habitação com taxa de juro variável (de 0,5%).

 

 

Fonte: Idealista News

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